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Fazendo justiça



Outro dia eu disse por aí que achava a Saida mais-ou-menos. Não acho mais. Acho a Saida energética, precisa, autêntica e poderosa. Comecei a gostar depois de ter adquirido seu vídeo didático de ritmos com o Mario Kirlis. Só de ter feito um vídeo didático de ritmos com um músico explicando de fato as estruturas rítmicas, já ganhou minha simpatia. E sua leitura para os ritmos é muito original. Explica muito bem, deve ser excelente professora. Sem falar que ela é muuuito bonita. Eu não gostava muito dos movimentos bruscos, amplos demais. Mas agora eu gosto. Continuo gostando da sutileza egípcia, claro. Mas que uns sustos fazem bem às vezes não dá pra negar.

Escrito por Roberta às 14:50
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Preferências e sensibilidades



Dia desses, faltei a uma aula e propus uma confraternização com sessão de vídeos na minha casa como reposição. Cada uma levou um lanchinho para compartilhar e minha sala ficou cheia de mulheres ansiosas para ver dança. Como não tenho mais videocassete, a mostra se limitou aos meus poucos dvd's. Porque fita tenho aos montes e o material digital que tenho não chega aos pés dos velhos vídeos com imagem ruim. Mas lá fomos nós.
Suheir Zaki, Nagwa Fouad, Dandash, Dina, Amani, Fifi, Nour (a russa, não a brasileira), Soraia, Polimnia Garro, Lulu Sabongi. Nessa ordem. Prestaram muita atenção em Suher Zaki, na Dandash. Odiaram veementemente a Amani - mostrei a coreografia de El Hob Kolloh, com pandeiro. Não viram nada de mais na Dina. Gostaram mesmo foi das brasileiras.
Fiquei pensando no porquê. Não é a primeira vez que faço sessão de vídeo em casa e o resultado é sempre parecido. A primeira conclusão é a questão da linguagem. É mais fácil compreender o que as brasileiras estão expressando. Porque é pão-pão, queijo-queijo. Os movimentos são comunicados mais claramente, como se, em uma narrativa, se falasse palavra por palavra. É menos trabalhoso identificar o que elas estão fazendo, o modo como interpretam a música e tal. Porque é como se estivessem falando uma língua estrangeira, daí se expressam com prudência, escolhendo bem as palavras. Não é errado, mas também não é poético.
A outra perspectiva é a do vulgo "costume". Ou seja, pra falar mais bonito, a sensibilidade para aquela outra estética. Esta é uma sensibilidade construída delicadamente, com o tempo, com a aproximação. Devagarinho, vai-se desvelando o discurso da dança egípcia. Não parece mais tão estranho, tão desconectado. Porque a sensibilidade é ajustada à novidade e tal.
Vou repetir a sessão, certamente. E recomendo muito essa experiência. É um barato ver as alunas curtindo ou criticando seus ídolos. Vamos, nós também, ajustando nossas impressões.

Escrito por Roberta às 09:55
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Ode à Dina

Se eu entendi bem, está na moda odiar a Dina. Vejo em todo lugar manifestações anti-Dina: em blogs, no orkut, em fotologs, em artigos, em shows, no youtube. Criticam suas roupas, sua expressão e mesmo os movimentos característicos de sua dança são parodiados - e a paródia, a gente sabe, costuma ser prima-irmã do desprezo. Eu fico me perguntando por que. Afinal, é uma dança com poucas representantes egípcias contemporâneas. Eu fico procurando novos nomes, mas é complicado encontrar algo realmente novo. E eu não consigo me livrar da convicção de que este é um ofício em declínio. Alguém, por gentileza, me ofereça uma explicação coerente para esse repúdio à maior dançarina do ventre em atividade. À dançarina que utiliza movimentos milimétricos, intrincados, complexos e ainda assim sutis dentro de uma leitura rítmica e musical perfeita. Que deixa transparecer em seu rosto a riqueza musical egípcia, que não é composta apenas de duns e taks, mas de poesias sofisticadas, gênero, aliás, que compõe grande parte do legado literário árabe. Falam que ela faz cara de sofrida demais. Para quem? Certamente não para os egípcios. Mas, afinal, é a Dina. Joga pedra na Dina, joga bosta na Dina. Porque ela usa saia curta. Né isso? As pessoas ficam bem pudicas. Mas veja bem: quando bailarinas brasileiras "famosas" usam uma saia de finos trapinhos com duas nada discretas aberturas laterais até o cós não há críticas. Quando a Shakira e a Britney Spears se insinuam, bolinando o microfone, muito menos. Mas quando uma mulher árabe de um país de maioria islâmica faz um redondo grande com uma saia curta¹, as ocidentais viram a cara, "enojadas". Acho que isso acontece porque, ao fazer isso, ela rompe com as espectativas ocidentais sobre a mulher árabe. Quebra os estereótipos, as representações. Parece "gente normal", se distancia das fantasias orientalistas que construíram sobre ela. E ninguém gosta de ver suas expectativas oxidadas. E é por isso que eu AMO a Dina.

¹ E não dá pra deixar de acrescentar: alguém já viu a calcinha da Dina? Eu não. Porque ela sabe dançar com saia curta.



Escrito por Roberta às 21:02
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