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Yalla!



A aluna Haribô




Por Lid Van Der Lans-Eneias*

Ela espera velas, muitas velas. Incenso também. Ela busca elevação, luz, libertação, autoconhecimento e, se possível, um corpore sano. Véus e fumaça compõem o cenário, juntamente com almofadas para relaxamento, toques de ioga e mantras. Nas luas cheias ela espera se encontrar com outras irmãs para celebrar o sagrado. Ela quer ter as asas de Isis, ser fértil e poderosa. Ela quer sândalo e rosas, e de quebra uma visão de uma vida passada. Quer ritos de passagem e um novo nome numa língua estranha.

Templo ou grupo espiritual? Não. Essa é a aluna haribô. A aluna haribô busca. E busca tanto que não sabe nem o que anda buscando. Compra lebre, compra gato, compra qualquer coisa com a benção dos deuses. Asas? Ela tem, fez workshop e já as consagrou ao deus do cristal Swaroviski (sim, ninguém quer mais saber da deusa da lantejoula). Ela foi árabe na vida passada, não sabe bem de que país, mas certamente anteriormente ao Islã, e se chamava Amal Jamila Abdulaba Telefoon Suhaila do Hakim. As aulas para ela são terapia, são uma forma de entrar em contato com sua essência e de se descobrir como metade mulher, metade deusa. Quando dança ela descobre suas antepassadas em si.

Há algumas professoras que realmente possuem essa "metodologia". Se é isso com o que você se identifica, beleza. Se é isso o que você procura, beleza também. Mas me recuso a acreditar que você está freqüentando uma aula de dança. Acredite no que quiser, mas eu tenho que ser absolutamente cética aqui. Aula de dança é aula de dança. Ninguém vai ao centro espírita, a igreja ou a qualquer templo religioso para aprender a dançar. Pra dançar vai-se à aula de dança. Mas, por alguma determinação dos oráculos, para elevar-se espiritualmente, há uma galera grande que resolve "buscar" na dança. E que acaba vítima de um monte de gente oportunista, vendo terapia e sonhos proféticos onde há """apenas"""" arte e técnica.

Não sei o que há de errado com querer dançar apenas. Parece que nossa cabeça anda meio na idade das trevas, e que para mover os quadris é preciso uma permissão do sagrado. Ou ainda, que mexer os quadris simplesmente por diversão, arte ou técnica é profanação. Não que você não possa usar seu corpo para finalidades de culto (isso é bastante estudado e há muita literatura sobre; portanto não me aprofundo aqui). Mas sugiro que, quando você buscar uma aula de dança, que você tenha a noção de que a dança do ventre é uma dança. O que você fará com ela depois, ou com o templo que tua alma abriga, é problema todo vosso.

Pelo que diz minha parca experiência, a aluna Haribô é a primeira a cair fora, seguida pela aluna entrei-pra-ficar-gostosa e depois pela entrei-pra-dancar-pro-namorado. Ficam as que sabem que, numa aula de dança do ventre, encontrarão técnica de movimentos, música árabe e composição de dança. E, se a energia boa fluir, pode ser que encontrem um espetáculo de fim de ano também. Que assim seja.

* Lid é jornalista, bailarina e professora de dança do ventre.

Escrito por Roberta às 14:47
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Dos benefícios da dança do ventre

Ano novo, template véio novo. Enquanto eu não aprender a fazer algo personalizado, fico flutuando na enooorme variedade de modelos do UOL. Aliás, parar anotar aí: também é resolução de ano novo aprender html. Já estou indo muito bem: consegui colocar o código do shinystat sem aporrinhar a Samy. ^_^

* * *

Então, os benefícios. Bão, há tempos tinha vontade de falar sobre esse assunto, mas o empurrão veio com uma cartinha na lista de discussão da Paula. A moça, em pleno processo de emagrecimento, gostaria de saber se a dança ajudaria a enrijecer os músculos. Como a Gamila bem respondeu, poderia até ser que sim, mas a moça teria que forçar tanto a barra que, sendo a tonicidade muscular o único objetivo, mais interessante seria ela procurar outra atividade.
Já falei aqui sobre a exageração da confiança nos tão alardeados benefícios da dança do ventre. Promete-se de um tudo: força muscular, aumento do equilíbrio, correção postural, alívio de cólicas, regulação menstrual, emagrecimento, enfim, a dança do ventre é a panacéia. Só que, minha filha, não é bem assim. Sem querer fonzar ninguém, não acredito que uma só atividade, dissociada de um equilíbrio radical no estilo de vida, dê conta de tanta demanda.

A gente emagrece fazendo exercício aeróbico para chuchu e comendo (só) chuchu. Melhora a postura com RPG ou com um processo constante de conscientização e correção dos movimentos. Alivia cólicas e regula os ciclos do corpo com alimentação cuidadosa (ao menos é o que diz a Sonia Hirsh). Enrijece o corpo caminhando ou pegando peso. Ou seja, há possibilidades para resolução de problemas bastante mais práticas do que a dança do ventre. O que me encasqueta é o porquê de mulheres quererem aprender uma dança tão linda (e complexa) simplesmente pela possibilidade de emagrecer ou, no geral, "ficar gata".

Dança do ventre não faz milagres. Para emagrecer, tem que dançar freneticamente. Para enrijecer, tem que fazer os movimentos por eles mesmos, repetidamente, fazendo perder sentido seu lugar no mundo: o de compor uma dança. Certamente, como qualquer outra atividade física, a dança do ventre beneficia suas praticantes. Relaxa a mente, traz uma auto-confiança considerável, ensina a explorar o corpo criativamente, apresenta nova estética, estimula o intelecto, diverte. Para quê mais que isso?
As alunas que chegam buscando emagrecer ou tonificar vão embora no segundo mês. Percebem que não vai ter muito verão além daquela leve dorzinha no abdômen ou na cintura após um intensivo de camelo ou oitos. Ficam as que entendem os verdadeiros e duradouros benefícios da dança do ventre.

Escrito por Roberta às 19:12
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Da série terrores: Acidentes de palco

Sempre achei ruim repetir assunto. Repetir post, então, foon. Mas essa crônica aqui é bacana demais para ser deixada lá no arquivo. Foi escrito pela bailarina e professora Lid Van Der Lans-Eneas, jornalista, colaboradora e amiga do coração. Curtam aí. É impagável.

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A bailarina, o melea e o dente


Por Lid Enéas

Quem dança sabe os riscos de dançar. Não é para qualquer um. Dança envolve suor, dedicação, treino, choros, broncas de professoras, uma quantidade razoável de dinheiro e muita disposição para se machucar.

Machucar não no sentido figurativo. Não como metáfora. É ferir-se de verdade, contundir-se, quebrar-se. Quem dança sabe a dor e a delícia de dançar. Sabe que aquecer ajuda, mas não é um seguro contra lesões corporais. Sabe o que são horas a fio com dor, e sabe o que é ter que subir no palco majestática com dois cataflans, três voltarens, e mais promessas e rezas a santos, para que o que está quebrado não quebre ainda mais. Uma amiga minha, bailarina, é tão viciada em coisas para a dor que antes de espetáculo ela sempre toma a sua “novalgina da sorte”! Mas isso, de fato, só quem dança sabe. Sabe, entende e reproduz, como se este mundo fosse extremamente normal e simples de ser confidenciado com outras pessoas não-dançantes.

Eu conheço muita bailarina que largou o ballet clássico por contusão. E muitas dessas colegas foram parar na dança árabe, por ser de menor impacto, extrema beleza e complexidade. Eu fui uma dessas bailarinas, cuja vida se encarregou de cortar as asas (ou, para perder totalmente a poesia, de quebrar o joelho). Busquei na dança o sonho de continuar majestática, e a promessa de que poucas contusões viriam. Mas, como gato que nasce em forno não é biscoito, eu jamais deixei de lado o hábito de me alongar bem, de me aquecer, espichar, contorcer, até que todos os ossos estivessem no lugar e os músculos e nervos esticados como chiclete de melea. Peraí, eu disse melea?
Outro dia fui dançar no evento de minha professora e grande amiga. Roupa pronta, maquiagem impecável, arranjo de cabeça. Véu de melea. Chiclete de melea. Eu era uma melea! Sim, como era! Majestática e suburbana como uma melea. Subi no palco como uma melea, enrolada no véu de melea. Evidentemente já havia me alongado perfeitamente, sabia que nada poderia me acontecer. Mas quem diria que no meio da coreografia viria uma contusão!? Nunca, jamais havia me machucado daquela forma! Oh, oh, que horror! Eu vi o pedaço de mim indo embora como um foguete que decola, como uma gota de suor em um giro brusco, como.... como.....

Não, não me cortei. Não sangrei. Não torci nada. Mas o chiclete de melea.... sim, o simples chiclete... fez minha mandíbula bater com mais força... e fez meu canino superior pressionar fortemente o inferior.... e plot! Lá se foi um pedaço do meu dente embora! Assim, decolou! Sumiu! Kaputz! E a coreografia ainda não estava para terminar. Eu era a majestática e banguela melea, até o fim da dança. Não dava pra sorrir para o público, nem pra continuar tão bela, sublime e inatingível. O trauma, o fato hilário, a dor, em conjunto, me derrubaram do meu trono. Eu ia mesmo precisar de uma coroa... dental.

O show acabou, a festa terminou, e eu voltei para o meu reino mortal apenas banguela. Essa contusão era, talvez, inédita em dança árabe. Eu posso não fazer mais nada na dança, posso jamais atingir um padrão Fifi de qualidade, posso nunca dançar com um derbakista. Mas que eu fiz algo inédito, ah isso fiz mesmo!

Novos shows virão, e com eles a esperança de nada mais perder, nem dente, nem a postura majestática. Mas se alguém souber alguma técnica de aquecimento e alongamento dental, eu agradeço muito. E em tempo: se alguém achou meu pedaço de dente, favor entregar ao doutor Odélio. Xucram!

Escrito por Roberta às 19:24
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Resoluções de ano novo

Clássico. Fazer promessas para o novo início é tão típico quanto a contagem regressiva da Globo. Essas são as minhas no que diz respeito à dança em 2007:

1. Fazer um workshop com qualquer bailarina árabe que vier ao Brasil. Porque perdi todas. Por um motivo ou por outro. E, caramba, Dina, Randa e até a Mona me interessavam. Nesse ano prometo não me deixar perder nenhuma.
2. Fazer um ensaio fotográfico. Nunca fiz. Nem quando me apresentava regularmente. E vou mandar fazer cartãozinho, porque sempre usei aqueles bem chulé, sem foto. Na verdade, os únicos cartões com foto que fiz (eram bem feios) tinham meu nome de bailarina, que não uso mais. Usei por, no máximo, um semestre. Sei lá, não pegou.
3. Aprender, definitivamente, a tocar snujs. Eu toco aquele básico do básico. Galope, baladi e takata tata. Dançando também coreografia de iniciante, claro. Mas esse ano não. Esse ano será diferente. Vou tocar snujs.
4. Comprarei o vestido preto da Júlia. Minhas roupas mais antiguinhas não cabem mais em mim. Sim, aos 30 crescemos bastante.
5. Vou voltar a me apresentar. Dá saudade. Em 2006 não fiz um showzinho sequer. Agora é tentar articular com as (poucas) colegas do ramo e tentar tocar o projeto.

Se nada disso funcionar, tá lascado.

Escrito por Roberta às 14:55
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