BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Mulher, de 26 a 35 anos, rrsalgueiro@gmail.com

 

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Yalla!



Falando nisso...

...tem um monte de assessórios com os quais não simpatizo. Não gosto de assessório nenhum, na verdade. Acho um entrave, cheio de chatura. Claro que aprendi a trabalhar com a maioria, o que não quer dizer que goste do negócio. Tenho minhas razões. Vejamos:

1. Véu: o véu é bonito. O véu é light. Mas o véu também pode ser uma muleta absurda. A cada apresentação de véu em que a bailarina não o abandona após a entrada, me angustio. Fico toda encolhida, ansiosa. Penso a todo momento: "quando é que ela vai largar o véu e começar a dançar...?" Entende? Ela pode estar dando um espetáculo de técnica de manejo do tecido, mas me passa a idéia de quem dança é o pano, não ela;

2. Punhal: de onde tiraram essa idéia? É um fetichão, tipo derivado da espada, que é outra coisa sem-noção. Dificilmente produz uma apresentação de bom-gosto. E quando a bailarina inventa de dar uma de Sonja (conhecem? Aquela guerreira amiga do Conan), toda perigosa e fatal? Nuuuu, que vergonha...

3. Candelabro: ah, o candelabro é bonito, tradicional e bacana. Mas é um trombolho, né?

4. Espada: invenção estadunidense, meio nervosa e beligerante. Sei lá, acho meio forçado...

5. Serpente: sem comentários. Aliás, um comentário: não entendo essa coisa de tratar animal como "assessório". Animal é um ser vivo, não?

Escrito por Roberta Salgueiro às 23:05
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o porém

É verdade que amo dar aulas. Sim. Menos quando a aula envolve um véu desgovernado que insiste em se emaranhar na minha cabeça.

E também odeio dar aulas quando insisto em passar uma técnica de véu que não domino.

Eu tentei amar o véu. Mas o véu não me ama...

Escrito por Roberta Salgueiro às 17:55
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Um brinde!



Estou ensinando dança para uma turma muito bacana. As meninas são queridas, interessadíssimas e lindas. Todas. Me derreto a todo passinho aprendido por cada uma delas. Dá uma sensação de sucesso absurda! Sucesso delas, em aprender, e meu, por ter conseguido ensinar. Sofro porque tenho viajado pacas - tem mais uma penca de viagens previstas por aí - e ter que ficar naquela chatura de repor aula ou convencer alguém a ficar no meu lugar (no caso, tem sido a Júlia: Brigadão, baranga querida!!!).

Sempre gostei de dar aulas. Toda aquela coisa de ouvir a música, processá-la e transformá-la em movimento; de encaixar o vocabulário de dança em algum trecho da música preferida; de descobrir uma maneira nova de ensinar algum exercício ou passo. Considero-me uma boa professora - não, modéstia não é uma de minhas qualidades. Porque sou paciente, porque tenho um bom vocabulário de dança, porque estudo bastante, porque ouço muita música árabe, porque dou atenção a todas alunas e a cada uma em particular, porque dou liberdade a elas para intervirem na metodologia e, o mais importante disso tudo, porque dou aulas unica e exclusivamente por prazer.

Certamente não foi sempre assim. Lembro-me de minha primeira turma: depois de um tempão fazendo aulas, a Zamzam, minha mestre, me ofereceu uma turma para dar aulas. Quer dizer, não tinha turma, tinha só a possibilidade de ensinar num estúdio bem pequeno que queria oferecer aulas de dança do ventre. Empolgadíssima, lá fui eu. Minhas alunas-cobaia eram três: a filha do meu orientador, a irmã da minha amiga e uma moça desavisada, coitada. Eu não tinha um método específico, ia na cara e na coragem. Depois de alguns meses, juntou-se ao grupo uma menina bem querida e uma canadense empolgada. Entra-e-sai de gente. Foi bacana, aprendi um bocado e minha técnica foi melhorando. Fiquei lá por um ano e pouco. Daí uma moça me viu em apresentação e me chamou para dar aulas para sua equipe de trabalho. Montou-se uma turma, dei algum tempo de aula por lá. Eram três meninas. Depois de um tempo, começou o Clone (a novela): choveu aluna! Mas era longe, eu gastava mais do que ganhava e saí.

Foi quando a Zamzam me ofereceu outra oportunidade (querida!!!). Uma ex-aluna dela estava deixando uma turma no Ministério do Planejamento. Era um programa de qualidade no trabalho e montaram um espaço muito bacana, todo espelhado etc. Lá fui eu, empolgada, e encontrei uma turma bem legal. Fiquei por um bom tempo, fiz amizade com aquelas alunas e amava de paixão dar aulas lá. Daí comecei a trabalhar igual gente grande e precisei ir embora. Meu coração ficou minúsculo. Passei a turma para uma aluna avançada, de boa técnica. Fiqui só com as alunas particulares.

Depois que descobri que meu trabalho era bem mais flexível do que anunciado pela louca da minha ex-chefe,peguei uma turma na Asceb. Foi bem bacana e fomos longe. O horário começou a complicar para a maioria das alunas e acabou. Também outra turma lá, aos sábados, foi criada, mas não avançou. Comecei a dar aulas no Previ. Já contei aqui o desastre que foi. Eis que um dia eu estava toda tristinha, meio que desistindo da dança árabe quando uma ex-aluna do Ministério, a Heliana, me liga e diz que já há algum tempo estavam sem profa. Daí voltei. Fora a Heliana, a turma é toda nova. Ela me disse que estou bem melhor do que antes e que as aulas estão muito legais. Linda. Essas aulas são momentos muito importantes para mim: ali, descanso minha cabeça da política estressante; ali, canso meu corpo para que o trabalho não atrapalhe meu sono; nessas aulas, alimento meus olhos de poesia. Fica aqui, então, minha homenagem às mulheres lindas que fazem aulas comigo e que são parte da minha biografia.
Tim-Tim!

P.S.: a galera da foto é da turma da Asceb. Sou a primeira da esquerda. Eu ainda era cabeluda, ai, ai...

Escrito por Roberta Salgueiro às 17:23
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Dançar o amor



Já falei aqui sobre dançar para o namorado. Aliás, todo mundo fala sobre dançar para o namorado. Em qualquer fórum de dança do ventre, em toda sala de aula, mesmo nas conversas entre amigas o tópico dança do ventre para o namorado está presente como um grande fetiche. Uma boa parte das alunas de dança árabe resolve encarar as aulas com esse fim: seduzir o amado, mostrar a ele sua especifidade de ente feminino da humanidade, exibir propriedades musculares nunca dantes vistas ... Tem menina que entra para as aulas exatamente no dia 12 de maio, esperançosa de, em um mês, aprender a manejar um véuzinho para o mês seguinte. Tem academia que faz intensivão de aula de duas semanas para a namorada que quer "surpreender" seu frufruzinho. Não se questiona, portanto, que esse seja um dos usos correntes da dança e que, como tal, deva entrar na pauta de discussão. Mesmo assim, muita profissional da área desaprova a prática.

Pois eu dou a maior força. Muita gente fala que a dança para o amante é um uso "desvirtuado" de uma arte ancestral, sagrada etc. E que é um atestado de subalternidade feminina. E que pode ser um mico irrecuperável. Não acho nada disso. Quer dizer, concordo que, se não tomados os devidos cuidados, pode rolar um mico. Mas nada irrecuperável. Acho um saco esse papo conservador de que a dança do ventre é sagrada. Acho igualmente sacal esse feminismo antiquado de que a mulher não tem que agradar o homem - afinal, se gostamos de ser agradadas, agrademos também. Tem professora que torce o nariz para a mulher que assume ter entrado na dança do ventre para "resgatar" o casamento - concordo que é péssimo quando a aluna tem uma data marcada para o dia D e quer aprender tudo em duas semanas, mas daí a fazer um julgamento moral sobre o entendimento de feminismo da aluna é complicado.

Já dancei para namorados. Oficialmente meeesmo, com planejamento, franjas e tudo, foram só duas vezes (mui mal-sucedidas, por sinal), mas já dei umas tremidinhas despretenciosas que foram divertidas, estavam em contexto e não sei se seduziram, mas foram um bom elemento de cumplicidade e descontração do casal.

Acho que tem que ser por aí. Aquela coisa de ficar mostrando técnica para namorado, marido, ficante ou amante é um porre. Mas fazer uma gracinha é ok. Não dá para, no dia em que você quer fazer programinha romântico, ficar nervosa como se estivesse subindo em um palco ou adentrando um restaurante cheio de desconhecidos. Estamos com nossos amores. E, se a gente tiver escolhido direito a pessoa para quem resolvemos entregar o coração, não existe a possibilidade de mico. Afinal, dança é diversão. Para muito poucas de nós é uma opção profissional.

Deixo algumas dicas, porque Yalla!!! também é informação e cultura (uia!):
1. Não vista traje completo - é brega, não tem nada a ver, dá trabalho, deixa a gente nervosa. Deixe que o gostosão te veja vestida como deusa em uma apresentação de fim-de-ano ou no seu circuito profissional (caso sejas uma raqsa);
2. Ponha uma musiquinha tranquila, mas com marcações - tipo "Amal", do cd do Hamada. Ou um baladi qualquer. De preferência, deixe já um cd rolando, tipo Oum Kalthoum, que é bem legal, e levante-se para dançar no meio de uma delas (previamente estudada, ca-la-ro);
3. Deixe, como quem não quer nada, um lencinho jogado na mesinha do lado do sofá - Quando já estiver se movimentando, dando uns passinhos, amarre-o na cintura para marcar os movimentos. Isso é bem sensual e low-profile;
4. Não faça passinhos complicados - para um joguinho como esses, camelos, redondo pequeno, redondo grande, tremido, básico egípcio e batida lateral resolvem. Lembre-se: você está fazendo uma gracinha; sedução tem tudo a ver com naturalidade;
5. Não dance a música inteira - senão o moço morre de tédio. Pare quando achar que já está ok e volte rindo para junto do gatão. Dê uma bicada no vinho e um beijo na boca. Diliça!!!!

E bom dia dos amores para todos os meus leitores! Eu não vou dançar para o Marido porque estarei na Amazônia. Bão também.

Escrito por Roberta Salgueiro às 11:18
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