BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Mulher, de 26 a 35 anos, rrsalgueiro@gmail.com

 

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Yalla!



Apaga a luz!!!

Queridas,

tô de mudança. Já me instalei. A nova casa é bem limpinha. Bem organizada, a bichinha. Cheia de cômodos, ainda tô me acostumando.

É a minha cara, procê ver.

Vão pra lá que lá já estou!

Ó o endereço: http://yallah.wordpress.com/

Beijos!



Escrito por Roberta às 15:33
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Parto e dança do ventre

Reportagem do canal americano abc mostra que aulas de dança do ventre são a nova (?) tendência entre gestantes. O bacana da matéria é o foco no posicionamento do bebê, influenciado pelos movimentos da dança.
Aqui, ó: http://cosmos.bcst.yahoo.com/up/player/popup/?rn=3906861&cl=5768282&ch=4226723&src=news

Cá com meus botões, acho que nem todo movimento da dança favorece o parto. Acho que redondos, oitos, ondulações, essas coisas. Não sei se tranquinhos e tosqueiras em geral dão essa força.


Escrito por Roberta às 13:21
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Qual é o nome do filme?

Minha aluna escolhe a miçanga para fazer sua linda roupa. A bordadeira compra todos os pacotinhos existentes no DF. Não encontra mais e agora vai ter que desfazer tudo para colocar outro tipo de miçanga.

Qual é o nome do filme?
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*

*

*

Miçanga Impossível!

Hahahahahadhjfhsadfakfjh...

Uh, me acabo...

Escrito por Roberta às 14:16
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Tenho bastante coisa pra falar. Mas nenhum tempinho de sobra pra postar. Porque quando estou à toa saio, vou tomar cerveja e conversar fiado. Está tudo bem tumultuado. Mas tanta coisa aconteceu... Pro ano que vem vou sistematizar o monte de impressões que tive nesse último semestre. Porque minha vida de dança teve uma boa reviravolta. Agitou mesmo. Fui ver os arquivos de dezembro passado para ver o que tinha me prometido e vi que quase tudo foi realizado:

1) "Fazer um workshop com qualquer bailarina árabe que vier ao Brasil"
- Eu ia fazer o da Dina, mas daí rolou a coisa mais bacana do mundo, né? Fui dar workshop na Holanda. Muito fino, muito fino! E, por fim, a Dina nem veio.

2) "Fazer um ensaio fotográfico"
- Fiz e ficou um luxo!

3) "Aprender, definitivamente, a tocar snujs"
- Ah, nem rolou.

4) "Comprarei o vestido preto da Júlia"
- Não comprei. Usei emprestado no show da Holanda, bem bonito, apesar de meio longo. Daí comprei um pra mim, preto também, bem bonitão. Quando sairem as fotos do show, coloco aqui pra leitora espiar.

5. "Vou voltar a me apresentar"
- Fiz showzinho em dois palcos diferentes!

É a força do pensamento, minha gente. Tudo se movimenta.

* * *

Pra não perder o hábito, vão aí minhas promessas de ano novo:

1) Fumar menos. Pra ter mais fôlego mesmo;
2) Fazer aulinha de ballet clássico - pra ter equilíbrio e firmar as carninhas;
3) Fazer workshop com qualquer bailarina árabe que vier ao Brasil - porque sou brasileira, né? O resto a gente já sabe.
4) Aprender aquele giro com giro de cabeça - sabe qual é? Aquele que deixa a gente bem descabelada.
5) Planejar cada uma das minhas aulas;

E tá bom, senão desanda.

* * *
Pras meninas que vêem aqui e garantem que não estou falando sozinha, desejo uma linda passagem de ano! E que 2008 venha firme e positivo. Com muita comida gostosa, amigos sinceros e divertidos, saúde, equilíbrio, serenidade, companheirismo e bom sexo. Porque o resto a gente ajeita.




Escrito por Roberta às 23:18
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Tudo bem que desencanei geral dssas bandas, porque o uol está de sacanagem com as imagens que tento usar para ilustrar meus posts. E porque estou trampando muito na minha outra atividade (que vem a ser minha profissão, dizem). Mas tem coisa rolando. Pra chuchu. Uma delas é o espetáculo do Ayuny, nesse domingo (dia 09), que vai ser muito bacana. Fiz o programa e a seleção de imagens e tal e coisa. Me parece bem bacana e recomendo, né? Vou dançar e comprei roupa nova. Nessa de comprar roupa de última hora acabei rompendo um tabu: não gostava de roupa preta. Né nem por superstição, é que acho que não vai pra todo lugar e fecha o sentido da dança. Tipo não fica bem com cenário preto (a maior parte dos palcos) e é meio classudão demais. Mas daí que soube com uma semana de antecedência que faria um solo. A idéia anterior era um rodízio de professoras, mas a Lúcia liberou geral. Daí minhas velhas roupinhas ficaram ainda mais velhas e tive que abrir a carteira. E pintou essa roupa toda bonitona que pedi para colocar telinha, pra virar vestido, porque acho mais chique. Olha que a roupa é tão bem cortada que ficou bonita mesmo sem tela. Mas gosto de vestido. Se rica eu fosse, mandaria confeccionar uma roupa de dança na Chanel.
A outra notícia é que minhas alunas do MP não se apresentarão esse ano. Um rolo com a bailarina que nos convidou. Achei até bom, porque estava estressadona com tanto ensaio. Mas a coreo está tão bonita... Queria muito ver as moças no palco. Vai rolar, então, um chá em abril. A vantagem é trazer também minhas alunas do Ayuny para participar. Acho até mais bacana ter um show informal antes de subir ao palco. Fui ao chá de uma das colegas dia desses, que também é professora de uma de minhas alunas e achei tão bom! Tudo organizadinho, uma beleza. Vou copiar total! ^_^
Daí relato aqui.


Escrito por Roberta às 03:21
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Não consigo mais publicar imagem nessa merde de uol.

Vou procurar um novo endereço para o blog. Daí aviso. Porque tá danado.



Escrito por Roberta às 14:14
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Entrega

Isso é entrega em um fusion: http://www.youtube.com/watch?v=io_rjcJofm4
Karima, uau! Muuuito bom mesmo. Quero ver mil vezes para ver se aprendo. Porque entrega talvez seja o maior problema da dançarina ocidental (sem problematizar a categoria, por favor). E ela resolve bonito. Como se estivesse em Amsterdan, sei lá.


Escrito por Roberta às 02:52
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Sobre o Tribal

Vou confessar: o que mais me incomoda na chamada dança Tribal é a pretensa seriedade da coisa. Que se expressa, principalmente, nas feições na bailarina. Não, não dou conta de bailarina marrenta. Pra mim, bailarina tem aquele quê de musa. Tem que inspirar, trazer leveza. Não estou despolitizando nada. Mas tenho preguiça de cara amarrada.
A bailarina no tribal parece estar brigando com seu público. É séria, sóbria e equilibrada. Faz giros cronometrados ao som de música pós-moderna. Ergue um braço enquanto executa três batidas precisas no quadril e gira 180 graus para repetir a mesma frase. Ela é eficiente, higiênica e econômica. Com ela não tem braço feio. Ninguém conhece sua aracada dentária. Ela se contorce dramática e lentamente enquanto incorpora uma Theda Bara renascida nos anos 80. Mescla flores, tatuagens, seda e coturno. Funde os signos ao ponto do irreconhecível. E, principalmente, faz algo novo. Uma dança novinha em folha. Inventada em seio imperial. Resume tão bem o espírito de nosso tempo...

Escrito por Roberta às 10:22
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Shimmy lá

Fui dar um curso de dança na Holanda e já tô de volta. Boa mineira, fiquei quietinha até estar com o pé praticamente lá. O que dizer? Foi ótimo, claro! Uma semana incrível de ensino concentrado (na outra semana, fui passear e firmar alguns contatos para minha pesquisa, mas aí já é outra história). Até emagreci. Não sei bem se foi por causa do curso ou pela não-comida dos holandeses, mas perdi toicinho na empreitada. Tanto melhor.

turma iniciante
Era um crashcourse duplo: cinco dias de aulas de uma hora e meia cada para duas turmas: iniciante e intermediário/avançado. Ensinei uma coreografia pop e uma clássica. Fiquei muito impressionada com o resultado: conseguimos chegar até o fim de ambas as coreografias e a maioria de fato absorveu os movimentos ensinados. Surpreendente como elas aprendem fácil. São sérias e muito concentradas. Meu estilo é mais descontraído e no início fiquei bem preocupada com a sisudez da aula. Não dava para fazer piadinhas em inglês. Meu inglês, por sinal, saiu-se bem tosco. O que favoreceu a descontração, porque às vezes saíam termos absurdos. É nessa hora que me arrependo de não ter assistido mais vídeos didáticos das americanas. Mas enfim. Não tem nada disso de européia dura; as moças rebolam bem e têm uma fantástica capacidade de isolamento. Elas parecem ter gostado muito de mim. Uma delas disse que adorou porque a outra (única) professora de dança da cidade fazia a dança parecer erótica demais e no curso ela teve a oportunidade de conhecer uma dança do ventre leve, bonita e de respeito. Fiquei feliz!

Na semana seguinte, teve o show. Eu e a Lid dançamos juntas a entrada e a saída. No meio, um solo de cada uma. Conosco se apresentou Tulay, uma moça turca e seu tocador de tabla afegão que dançavam Kathak, uma dança indiana. Uma mistura só.
Tem mais foto lá no Puxadinho.
Eu agradeço muito à Lid, minha amiga que apontou a oportunidade, ao Ralf, marido dela, que me aguentou durante duas semanas desconcentrando o cotidiano e consumindo a cerveja dele, e à Linda, que organizou o curso e o show e preparou um camarim bacana com água, chocolate e barrinhas energéticas. Um luxo. Porque aqui não tem dessas coisas, né? 



Escrito por Roberta às 10:41
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O drama da roupa

Minhas alunas e eu fomos convidadas para uma apresentação no final do ano. Achei excelente, há tempos queria que essa turma sem-palco (do Ministério do Planejamento) tivesse uma oportunidade de fazer uma farrinha. Depois de muito embate, escolhemos a coreografia, começamos a ensaiar e tudo vai às mil maravilhas. Até a hora de combinar o traje. É impressionante a quantidade de opiniões divergentes que é possível surgir em uma sala com onze mulheres. Primeiro aprovaram o modelo (um duas-peças com bordado de crochê com vitrilhos). Daí foi a hora de decidir o corte da saia e o tecido. Noooussa! Uma queria veludo, outra cetim, outra um intermediário... Uma queria saia sereia, outra queria evasé, outra queria rodada... Gente que queria veludo agora achava que o bordado com vitrilho iria ficar feio, que queria franja; uma queria franja curta, outra longa... O veludo não tem muita opção de cor e todas queriam uma cor exclusiva. Um nó. Comecei a suar. Passei o telefone da costureira - que foi lá tirar medidas - e deixei na mão delas. O importante é a roupa ficar bonita, né? Expliquei a elas que o tecido pode ser da mesma cor para mais de uma menina, que o bordado compensaria (tipo preto com dourado, preto com prata, preto com azul...)e que todo mundo ficaria feliz. Que a saia teria uma fenda só, na frente da coxa direita. E que teria que ter um mínimo de unidade. O resto é com elas. Não consigo ser muito autoritária sempre. E às vezes até prefiro que decidam por mim, senão me perco em minhas idéias e acabo realizando pouca coisa. Como a apresentação do Ayuny (sim, estou com uma segunda turma por lá), em dezembro. A roupa tá decidida. Ainda pensei em sugerir um vestido e talz, mas não colou. Porque a mulherada gosta mesmo é de top e cinturão (ou, como está em voga agora, top e saia). Esse negócio de esconder a pança é pras pudicas como eu. Lá vou eu, de umbigo de fora. Minha barriga tá muito branca. E poderia estar bem mais bonitinha. Mas é a voz do povo.

P.S.: vou viajar por algum tempo. Visitar minha amiga Lid na Holanda e dar um curso de dança por aquelas bandas. Na volta, conto como foi.

Escrito por Roberta às 09:16
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Geni

Outro dia eu disse que, fizesse chuva ou sol, eu iria ao próximo workshop da Dina. Ainda bem que nasci irresponsável e pisciana. E tenho um compromisso em outro país no mês que vem, que me leva a não gastar o sagrado dinheirinho pingado pelo cnpq todos os meses em minha conta. Porque alguma coisa deu muito errado no festival que traria a Dina a São Paulo. Sei lá por que a Dina não veio. A Rede Hayet até publicou o contrato. Dizem por aí que a empresa está se recusando a devolver a grana às moças que pagaram para ir ver a Dina. Porque, segundo a empresa, pagou-se por um pacote. Mas veja bem, sem querer desmerecer nenhuma das profissionais que estão oferecendo seus cursos, quem pagou, o fez para ver a Dina. É muito diferente oferecer aulões com professoras ocidentais e oferecer um aulão com a Dina. Né? Né? Não faz sentido algum se recusar a devolver a grana. Qualquer calouro de direito sabe que é caso perdido. 

Escrito por Roberta às 15:26
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Ah, o artesanato...

Que a dança do ventre é um ímã pro que há de mais brega na produção humana nós já sabemos. Que ao começar a praticar dança do ventre a maioria das mulheres sai pra comprar roupinha sem o menor discernimento nós também já sabemos. O que eu não entendo é como é que algumas pessoas produzem (e usam!) algumas peças que são escancaradamente horrorosas. Tipo isso aqui:

Repare que maravilha de caimento tem esse tecido. E esse top dá uma segurança inimaginável, né? E a originalidade do modelo? Luxo.

Por favor, alguém me informa QUEM usa uma peça dessas? Que modelo é esse? E o fenomenal detalhe das manguinhas minimalistas?

Ai. Tipo uma roupinha de verão. Pra quê comprar collant, né, minha gente? Bom mesmo é usar um macaquinho (?) de crochet com moedinhas.

Agora minha preferida:

Tipo: "é muito caro comprar lenço de quadril, além do mais todos são iguais. Vou ser diferente: vou fazer o meu e inovar no padrão! Ai, amo borboleta!" Taí o resultado. Toda torta. E gorda. E com deficiência de pigmentação. Assim que sai a borboleta. Aliás, que obsessão é essa com borboleta?

Doeu as vista? Magoou? Então vê se olhando esses modelos da Nour dá uma aliviada. Sim, resta uma esperança. 



Escrito por Roberta às 08:44
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Estrelinhas

A Endora, do Pumpkin Juice, indicou meu blog para concorrer ao prêmio blog cinco estrelas. Pelas regras do jogo, devo indicar também os blogs que acredito serem merecedores de premiação. Lá vão:

Contos Legítimos

Cynthia Semíramis

Dadivosa

 

 



Escrito por Roberta às 21:17
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(des) caminhos da dança do ventre no Brasil

Não resisti e reproduzo o ótimo texto da Gamila sobre o mercado de dança no Brasil. Gamila (também conhecida como Cínthia Nepomuceno) é uma das brasileiras que, além de dançar, preocupa-se em pensar a dança. É responsável pelo grupo Aiua!, que funde princípios de várias danças. Além disso, é bacharel em dança pela Unicamp e tem mestrado em Artes Cênicas pela UnB.
O texto foi publicado originalmente no site Tribos de Gaia. Aproveitem!

Dança do Ventre no Brasil: do "É o Tchan" ao Código de Barras.

Por Gamila el Helwa

Apesar do pouco espaço de que dispõe no cenário artístico atual, a dança do ventre no Brasil sempre teve sua área reservada na mídia e nos locais de entretenimento, como bares e restaurantes, festas e shopping centers. Foi na década de 1990 que o interesse das brasileiras por essa dança cresceu significativamente, coincidentemente na mesma época em que passou a ser mais divulgada nos Estados Unidos. Coincidência?? Não é novidade que nossa cultura tem grande afinidade com a cultura estadunidense.

Uma das mais conhecidas alusões da mídia à dança do ventre no Brasil aconteceu em 1997, com o grupo "É o Tchan" e sua música "Ralando o Tchan". Se prestarmos atenção à letra poderemos perceber qual a imagem que a massa brasileira construiu a respeito das dançarinas do ventre. A primeira frase: "essa é a mistura do Brasil com o Egito", introduz uma seqüência de imagens que vão se delineando a partir do convite: "balance o corpo, meu bem, não demora, que chegou a hora da dança do ventre", dando lugar a: "o califa tá de olho no biquinho do peitinho dela", "gostei minha odalisca, faz essa cobra coral subir, vai...", "que maravilha... cheguei no oásis, sua ordinária, estou todo molhadinho" (sic) e "ela fez a cobra subir".

O mau gosto da música e das "dancinhas" das chamadas loira e morena do tchan não surtiu efeito de rejeição do público, pelo contrário a procura por aulas explodiu em todo o Brasil. Naquele ano eu estava começando a dar aulas e percebi a euforia que tomou conta da imaginação de várias mulheres que decidiram aprender a dançar.

Alguns anos depois, a novela O Clone da Rede Globo apresentada em 2002, foi certamente o maior veículo de divulgação da dança do ventre. Para muitos, aquela foi a oportunidade de vê-la pela primeira vez. O impacto de tudo isso forneceu motivação para o desenvolvimento de um verdadeiro mercado onde essa dança é o motor principal.

Aulas, shows, CDs, DVDs, VHS, workshops, figurinos, acessórios como espadas, véus, bengalas, pandeiros, snujs, além de roupas para aula e até mesmo cobras (sim, serpentes vivas!), entre muitos outros artigos de consumo, passaram a fazer parte de um arsenal considerado necessário para quem pretende dançar "de verdade". Para piorar tudo, chegaram os campeonatos, concursos, seleções, onde as milhares de desavisadas pagam quantias significativas para se inscrever.

Oras, uma pessoa paga uma taxa média de 100 reais, compra vários figurinos de mais de 500 reais cada, fora os véus e CDs, investimentos em aulas... tudo isso para passar por uma banca de avaliação que vai julgá-la. Isso mesmo, vocês leram bem: pagam para ser julgadas. Para alcançar o título de "dançarina padrão". "Selo de qualidade", como aqueles que a gente vê pregados nas melancias do supermercado que garantem a procedência da mercadoria. Sim, são dançarinas com CÓDIGOS DE BARRA!!!

Agora vamos imaginar que 100 pessoas desejem ser julgadas. Seriam 10.000 reais em lucro para quem julga!! DEZ MIL REAIS!!! Isso se tivermos apenas 100 interessadas no Brasil inteiro. Alguém duvida que existam mais de 100? No vasto território nacional? Estou calculando apenas o investimento com as inscrições. Se pensarmos que uma criatura que deseja ser selada, registrada, carimbada, avaliada, rotulada (e viva Raul Seixas!) gasta uma média de 4 mil reais (estou calculando por baixo) num investimento, e se considerarmos nossa margem de 100 mulheres interessadas, teremos quanto? QUATROCENTOS MIL REAIS de capital em movimento no comércio da dança do ventre. Que sistema lucrativo! Que negócio da china! Ou seria da "Arábia"!?

Vou parar por aqui. Senão a "máfia" mercadológica pode começar a se incomodar. Apenas quero deixar aí a pulga atrás das orelhas de vocês. Ou como diriam no Zorra Total:
Chupa essa manga, odalisca!

Gamila El-Hellua
(numa tarde fria do cerrado brasiliense)

Publicado em 14.07.2007



Escrito por Roberta às 21:03
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Osso duro de roer

Comparada com o balé, a dança do ventre é uma papinha. Estava procurando no youtube algumas seqüências novas para alongamento (aula de uma hora de duração é dose, o alongamento tem que ser breve e eficiente) e aparecem todos aqueles vídeos caseiros de menina treinando movimentos de balé complexissíssimos - ao menos para mim, que só fiz baby class e, claro, já não me lembro mais de nada. Mas a comparação é meio covarde. Porque o balé é uma disciplina e tanto e tal. A dança do ventre tem seus percalços. Se não é osso duro de roer, é cartilagem chata de mastigar, vá lá.

Tem umas coisas que são complicadinhas, principalmente no começo. Estou, por exemplo, ralando para fazer as meninas executarem o maya. Aquele oito vertical pra baixo. Nossa, quando tenho que ensinar oito maya fico toda ouriçada porque sei que vai dar trabalho. E quero que elas façam sem levantar os calcanhares. Metade da turma já faz e a outra metade está ralando. Aí eu me pego lembrando de quando aprendi. Na verdade, o oito maya não foi muito difícil pra mim. Camelo foi mais difícil. Quase impossível, na verdade.

Mas dança do ventre também tem esse fenômeno louco de o corpo, de repente, começar a fazer o movimento direito. Faz sentido? Você fica lá na frente do espelho, repetindo, repetindo. Sempre alguma coisa está fora de ordem. De repente, do nada, lá está o movimento. Quando acontece isso, a gente tem que deixar fluir. Repetir loucamente, até que fixa e a gente não esquece mais. Fantástico. Mas vá lá: tem os passinhos que são chatos de ensinar ou de aprender. Pra mim são difíceis de ensinar:

- Oito maya: porque deslisar e baixar o quadril ao mesmo tempo é mesmo complicadinho.
- camelo: chato de ensinar. É um movimento que pede paciência, aquela coisa de vértebra-por-vértebra e tal.
- tremido: mais porque as meninas se desesperam do que por ser difícil. Mas as minhas alunas têm aprendido bem. Graças a Deus.

Tem os movimentos que para mim foram - ou têm sido - difíceis de aprender:
- giro helicóptero: Aquela coisa de levanta-braço-baixa-braço me deixa louca
- deslocamento com redondo equilibrista: Dá trabalho. Ainda não faço bem, mas chego lá
- snujs: Tocar parada é uma beleza. Deslocar, só com novena pra Nossa Senhora da Coordenação Motora.
- giros de cabeça: tipo os da Poli. Uau. Dói, né?

Claro que esse mocotó todo se desfaz com um tantinho de estudo. Mas até chegar lá...

Escrito por Roberta às 20:47
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